Entre 18 e 25 de setembro, o Brasil realiza a Semana Nacional de Trânsito. Para 2026, o Contran decidiu manter a mesma mensagem do ano anterior: "Desacelere. Seu bem maior é a vida." Repetir o tema não é falta de ideia — é reconhecimento de que os números ainda não melhoraram o suficiente para justificar a troca.
Os dados mais recentes consolidados pelo Ministério da Saúde mostram 37.150 mortes em sinistros de trânsito no Brasil em 2024 — mais de 100 por dia, em média. Motociclistas concentram a maior parte: foram 15.459 mortes, ou 41,6% do total. E o começo de 2026 não trouxe alívio: o primeiro semestre já soma 12.156 mortes, alta de 2,1% sobre o mesmo período de 2025.
Este artigo reúne os números por trás da campanha e explica onde a rotina de quem compra, vende ou mantém um veículo também entra na conta da segurança viária — não só o comportamento ao volante.
Os números por trás do "Desacelere"
Segundo o Anuário 2025 da Polícia Rodoviária Federal, o excesso de velocidade lidera o ranking de infrações nas rodovias federais, com 7.237.407 autuações registradas de um total de 10.204.563 infrações no período. Nenhuma outra infração chega perto desse volume — o que ajuda a explicar por que a campanha nacional insiste especificamente na redução de velocidade, e não em um tema genérico de "atenção no trânsito".
Já tem a placa do veículo em mãos? Não espere até fechar negócio.
Verificar situação do veículo →A escolha por manter a mesma mensagem de 2025 para 2026 segue essa lógica: trocar o tema a cada ano tem custo de reconhecimento da campanha, e os indicadores de mortalidade no primeiro semestre de 2026 pioraram em vez de melhorar.
Por que motociclistas concentram quase metade das mortes
Motociclistas responderam por 41,6% das mortes em sinistros de trânsito em 2024 — o maior grupo entre todos os tipos de vítima. Esse dado por si só já justifica boa parte do esforço das campanhas educativas recentes em mirar especificamente esse público, com foco em visibilidade, equipamento de proteção e respeito à distância de segurança por parte dos demais condutores.
O que cabe a quem dirige — e o que cabe a quem compra um veículo
Redução de velocidade e direção defensiva são responsabilidade de quem está no volante, e nenhuma consulta ou relatório substitui isso. Mas parte da segurança viária também está na condição do próprio veículo e no histórico de quem já rodou com ele — pontos que ficam mais relevantes justamente na compra de um usado.
Recall pendente, por exemplo, pode envolver componentes de segurança como freios e airbags. Histórico de sinistro de média ou grande monta pode indicar dano estrutural que compromete a resposta do carro numa frenagem de emergência. Nenhum dos dois aparece só "olhando" o veículo — exige checagem antes de fechar negócio.
- Verifique recall pendente antes de comprar ou continuar rodando com o veículo.
- Consulte o histórico de sinistro para identificar indício de dano estrutural.
- Mantenha freios, pneus e itens de segurança em dia, especialmente antes de viagens.
- Respeite os limites de velocidade — é a infração com mais autuações no país.
Fontes consultadas
Referências usadas especificamente nesta página:
- Ministério dos Transportes — Calendário de Campanhas Educativas de Trânsito 2026
- Polícia Rodoviária Federal — Estatísticas e Anuário
Última atualização: 21/09/2026 · Revisado por: Equipe editorial Qplaca
Perguntas frequentes
A Semana Nacional de Trânsito é feriado ou muda alguma regra de trânsito?
Não. É uma semana de mobilização e campanhas educativas em todo o país, sem feriado nacional e sem alteração nas regras de trânsito vigentes.
Por que a campanha repete a mensagem "Desacelere" em 2026?
Porque os indicadores de mortes no trânsito no primeiro semestre de 2026 pioraram em relação a 2025. O Contran optou por reforçar a mesma campanha em vez de trocar o tema.
Excesso de velocidade é mesmo a infração mais comum no Brasil?
Segundo o Anuário 2025 da Polícia Rodoviária Federal, sim — é a infração com o maior número de autuações registradas nas rodovias federais.
